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Crítica | Paris Pode Esperar

A matriarca da família Coppola, a qual já é muito renomada dentro da história do cinema pós-modernista, é a cineasta estreante da vez. Após dirigir alguns documentários, Eleanor Coppola decidiu investir em uma nova tentativa de produção: O cinema de Ficção.

A obra é o que chamamos de “filme de estrada”, como os filmes da Trilogia do Antes (Antes do Amanhecer, Antes do Pôr do Sol e Antes da Meia-Noite). A trama gira em torno de Anne (Diane Lane), esposa de Michael (Alec Baldwin), que é um produtor de cinema ocupado demais para lhe dar atenção. Devido à um problema no ouvido e à pressa de seu marido para chegar até Paris, Anne precisa seguir o caminho pela estrada com um de seus sócios, Jacques (Arnaud Viard), ao invés de acompanhá-lo em seu avião. Durante o trajeto, Anne e Jacques se aproximam de uma forma intimamente catastrófica no que se diz respeito ao casamento da protagonista.

Em termos de enredo, o plot principal não é nada que não tenha sido feito antes de uma forma mais elaborada. Eleanor Coppola mostra competência em seus diálogos, mas pouco aprofundamento em suas linhas, exceto pelo momento em que os dois protagonistas conversam na Igreja e, logo em seguida, no carro, onde abrem suas verdadeiras dores pela primeira – e talvez, única – vez durante todo o filme.

O destaque em atuação vai para Arnaud Viard, que demonstra sucesso em passar todo o charme e sedução persuasiva por parte de seu personagem. Os sentimentos do público por ele se tornam muito dúbios até o final da trama: Você nunca sabe se ele está falando a verdade ou tentando render ganhos próprios com sua postura galanteadora. Em contraste, Diane Lane não impressiona. Na maior parte do tempo, sua atuação é apenas sutil e cabível, se tornando até mesmo um pouco forçada em alguns momentos.

Quanto à direção, Eleanor mostra as marcas de suas produções anteriores. A sensação de assistir o filme é a mesma de assistir um documentário. O ritmo é quase uma entrevista e cada foto tirada pela protagonista é mostrada como um frame durante o filme. Ainda é difícil dizer, mas talvez esse venha a se tornar um grande elemento de Eleanor Coppola em suas próximas obras.

O movimento de câmera é adequável ao decorrer do filme, mas assim como algumas outras técnicas, não ousa em momento algum. O medo de arriscar novas tentativas e sair do planejamento sofisticado é extremamente perceptível. A câmera está sempre em sua zona de conforto. Apesar disso, temos uma certa esperteza da diretora ao tentar deixar sempre seus dois protagonistas em cena; Raros cortes durante a conversa são decorrentes de uma planificação que proporcione uma melhor visão de ambos.

O filme tem tons esbranquiçados que trazem uma atmosfera rebuscada, com alguns destaques de verde para a ressalva da estrada e uma fotografia limpa – com a utilização da câmera de documentário, o que traz um tom um tanto quanto pessoal para o filme e aproxima o telespectador da interação entre seus personagens, o que se torna tão palpável em alguns momentos que faz com que você se sinta constrangido de estar ouvindo uma conversa tão íntima e uma troca de flertes subjetiva. Esse é um dos maiores pontos positivos dentro da película.

Sendo assim, apesar de ser um bom filme, Paris Pode Esperar é definitivamente esquecível, mas importante para o primeiro marco do que pode vir a se tornar uma carreira de sucesso e a alavanca para mais uma mulher suceder dentro da indústria cinematográfica.

O filme já está em cartaz em alguns cinemas do Brasil.

Lara Arruda
Maníaca por arte e cinéfila assídua.