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Crítica | Diário de um Banana – Caindo na Estrada

Após viralizar na internet como o meme “o mão de frauda”, Greg Heffley (Jason Drucker) é informado pela mãe que irão fazer uma viagem em família. Desesperado em limpar sua imagem, Greg faz o possível para desviar a rota até uma convenção onde marcou de encontrar-se com um youtuber famoso para limpar o seu nome, mas acaba causando uma confusão atrás da outra.

Inicialmente, o filme causa certa estranheza para os espectadores da primeira trilogia. O motivo dessas desavenças é a troca do elenco principal – considerando que os antigos atores já estão muito velhos para continuar interpretando papéis de pré-adolescentes. E, apesar do bom trabalho do novo elenco, é inegável a falta de algumas personalidades que foram muito bem trabalhadas anteriormente, especialmente a do próprio Greg.

Apesar disso, Jason Drucker faz o possível para incorporar o protagonista, conseguindo arrancar boas risadas e transmitir perfeitamente o constrangimento do personagem a todo o momento. Charlie Wright interpreta Rodrick Heffley, o irmão mais velho. Vemos nessa nova construção de personagem diferenças gritantes com o anterior. O novo Rodrick não apenas é problemático como também é um tanto quanto burro e o típico estereótipo de adolescente desleixado.

Temos a surpreendente participação de Alicia Silverstone (As Patricinhas de Beverly Hills) como a matriarca da família Heffley. Na trama, ela se preocupa com o vício da família em tecnologia e exige que os filhos e o marido larguem os celulares durante os quatro dias de viagem.

A familiaridade só é possível graças ao trabalho de câmera – que mantém as mesmas técnicas anteriores, como fast forward, que já havia se tornado mais que característica dentro das obras de Diário de um Banana. Porém, esse manuseamento é um tanto quanto preguiçoso, não explora novas técnicas e leva aos planos a se estabelecerem na mesmice, provavelmente pelo público que deseja atingir. Há também os desenhos clássicos do livro se convertendo em animações e, posteriormente, em cenas do filme.

Apesar da faixa etária, o filme traz referência ao cinema clássico, como a famosa cena do chuveiro de Psicose (1960), que levará o público com certo conhecimento cinematográfico a algumas boas gargalhadas.

A história estabelece uma crítica a tecnologia nos dias atuais ao mesmo tempo em que posiciona a mãe como “vilã” por tirar os eletrônicos da família, considerando que a trama é narrada por Greg. Ainda assim, o filme consegue cumprir o objetivo de arrancar gargalhadas mas muitas vezes soa forçado ou apelativo, uma tentativa de nostalgia que não é realizada por tentar acometer aos outros filmes da franquia. Se houvesse investimento em uma nova atmosfera para essa nova geração Heffley, o roteiro teria se tornado mais crível e palpável.

Diário de um Banana – Caindo na Estrada, é um filme divertido e animado na mesma medida em que é previsível e preguiçoso.

O filme tem sua estréia marcada para 10/08 (quinta-feira).

Lara Arruda
Maníaca por arte e cinéfila assídua.