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Crítica | Transformers: O Último Cavaleiro

Transformers – O Último Cavaleiro, uma boa ideia para filme que acabou atirando no próprio pé.

A franquia de filmes Transformers retorna em seu quinto filme, e novamente Michael Bay está sentado na cadeira do diretor nos trazendo muita ação – mais do que o esperado, inclusive.

Ao longo dos anos, filme após filme, as críticas para Transformers têm sido cada vez piores, e dessa vez não foi muito diferente. Apenas 15% das atuais críticas nos Estados Unidos têm sido positivas, enquanto as negativas apenas se repetem continuamente, listando os mesmos fatores. Mas, ao mesmo tempo que os críticos não são muito agradados, o filme é capaz de causar grande imersão nos fãs da franquia, tal como também servirá como boa porta de entrada para quem não tem nenhum conhecimento sobre a franquia. A fotografia está fantástica, apesar de em muitos momentos os efeitos visuais parecerem exagerados.

Bay falou que ele e Steven Spielberg uniram duas histórias para criar esse quinto filme, trazendo com eles novos roteiristas – o que provavelmente foi o maior erro para o filme. Havia muita coisa acontecendo paralelamente, muitos pequenos enredos que se colidiam e causavam certa confusão para quem assistisse, apesar de a ideia central ter sido muito boa.

O filme inicia-se mais de 1600 anos antes, situando-se no período da Távola Redonda, Rei Arthur, Merlin, e explica a vivência dos Transformers na Terra desde os primórdios da história humana documentada e o motivo deles persistirem em voltar, além de surgirem cada vez mais deles. Afinal, é um grande ponto considerando que diversos deles têm mais de dez mil anos, e que evidentemente já estiveram antes na Terra. Mas, no futuro, o motivo deles retornarem para a Terra (que agora recebe um outro nome) torna-se um perigo para a humanidade, e Optimus Prime não está aqui. Os designados protagonistas que irão ajudar o planeta, então, são Cade Yeager (Mark Wahlberg), Bumblebee, um lorde inglês (Sir Anthony Hopkins) e Viviane, uma professora da Universidade de Oxford (Laura Haddock). Esses são os de maior enfoque, mas há também Izabella (Isabela Moner) e os militares. A atriz Isabela Moner fez um excelentíssimo trabalho e provavelmente ganhará ascensão no cinema nos próximos anos, mas a sua presença foi muito pouco explorada, como se o roteiro desse um grande pulo em uma história muito rasa, considerando que ela é apresentada no início e passa um bom tempo sem aparecer. Laura Haddock, chamada por muitos de “sósia da Megan Fox”, fez o papel de uma personagem com a personalidade pouco marcante, parecendo ter sido incluída no filme apenas para fazer par romântico com Cage Yeager. 

O maior problema do filme, que também se encaixa na categoria elenco, foi trazer diversos personagens e suas tramas sem aprofundar-se nenhuma delas. Sir Anthony Hopkins, da mesma forma, um ator de renome, não influencia muito na história, o que significa que algumas de suas cenas poderiam não ter sido incluídas, para facilitar a recepção dos telespectadores. Diversos críticos, inclusive, questionaram o motivo do mesmo ter aceitado fazer esse papel. Logo, as tramas paralelas e desconexas, sempre trocando de foco de forma confusa, tornaram tudo mais cansativo, e nos fazendo perguntar a importância de certas coisas para o roteiro.

Por fim, o filme de quase três horas traz a sensação de mais de cinco horas na sala de cinema, arrastando-se depois da primeira hora quando começamos a nos perguntar quando e como será o desfecho, como vai acabar. Muitos assuntos desnecessários ocuparam um tempo valioso que poderia fazer as horas passarem mais suavemente despercebidas. As cenas de ação, muito bem elaboradas por Michael Bay, não têm muito tempo para pausa, e acaba tirando um pouco o fôlego e nos forçando a desviar os olhos por uns minutos para descansar um pouco os olhos. O 3D, inclusive,  próximo à metade do filme, torna-se cansativo em certas cenas de ação, mas está valendo muito a pena, pois os investimentos gráficos foram justificados e ficaram belíssimos.

Um ponto positivo do filme em si é que o enredo se passa em três ambientes diferentes: a terra, o espaço e, em certas cenas, no fundo do oceano, e a beleza gráfica do filme estava impecável. Momentos mais psicodélicos, outros mais sombrios, outros com uma grande nostalgia “a espada era lei“, para os fãs de histórias medievais, e por aí vai. Vale citar que a dublagem americana dos Transformers está impecável, e quem tiver a oportunidade de assistir em uma sala Xplus (de áudio melhorado), é recomendável.

Transformers: O Último Cavaleiro tem sua estréia amanhã, quinta-feira, dia 20 de julho de 2017, apenas nos cinemas.

 

 

Lua Sánchez
Estudante de pedagogia, apaixonada (ou alienada?) por tudo que envolva a Ásia e cinéfila incurável.
http://upendista.com