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Crítica | O mínimo para viver – Transtornos alimentares são foco de nova produção da Netflix

Ellen (Lily Collins) é uma jovem que sofre de anorexia. Obcecada pelo seu peso, a garota chega a beirar a morte, passando por inúmeras clínicas e profissionais até que encontra um médico (Keanu Reeves) com métodos pouco convencionais e um novo tratamento a ser posto em prática.

A nova produção da Netflix aborda o importante tema de distúrbios alimentares. Esse universo é expandido quando a protagonista é internada para se tratar em uma clínica junto com outros jovens que possuem anorexia, bulimia e outros transtornos que envolvem alimentação. Nesse momento, podemos sentir uma sensação de familiaridade e certa influência de filmes como Garota, Interrompida e Um estranho no ninho. As dinâmicas de grupo vão se aprofundado ao decorrer da história e os personagens dão suporte um ao outro para continuar na luta contra a doença.

A diretora do filme, Martin Noxton, e a atriz Lily Collins contaram que já sofreram de distúrbios alimentares durante a adolescência. Lily teve que emagrecer muito para fazer o filme e disse que ficou chocada quando uma amiga da família elogiou sua aparência. “É por isso que esse problema ainda existe”, declarou a atriz, se referindo aos padrões de beleza que levam as pessoas a acharem que magreza absurda é o ideal.

O longa perde seu foco da metade para o final do filme, quando muda o foco para o romance entre Ellen e Luke (Alex Sharp), deixando com que a história caia mais uma vez no típico clichê de romance adolescente que não deveria se tornar mais importante que a trama. Esse gasto de tempo com uma relação que poderia ter se desenvolvido de forma secundária ou até mesmo terciária, fez com que o filme tivesse que ser “espremido”, deixando o final a desejar. Além disso, esses minutos perdidos poderiam ter sido utilizados em aprofundar as demais personagens que também sofriam do distúrbio e expandir a área psicológica que é abordada no filme.

Entretanto, o filme aborda um assunto essencial a ser tratado e sua fotografia e roteiro trabalham muito bem nos minutos finais em demonstrar a aceitação de Ellen. Um filme interessante, suave, mas que perde seu objetivo em algumas cenas, “To The Bone” ou O mínimo para Viver, não é uma obra-prima do cinema, mas possui seus momentos importantes a serem discutidos.

Lara Arruda
Maníaca por arte e cinéfila assídua.