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Crítica | O estranho que nós amamos

Uma releitura mais elaborada e bem menos problemática que o original.

“O Estranho Que Nós Amamos”, dirigido por Sofia Coppola, eleita melhor diretora do festival de Cannes deste ano, é uma releitura da produção de 1971, que por sua vez é uma adaptação do livro de Thomas Cullinan. Estrelado por Collin Farrel, o longa conta a historia de um soldado ferido que acaba sendo mantido em um internato para mulheres, fazendo com que as relações sociais mudassem completamente.

Uma premissa que de longe parece cair em um clichê erótico e romântico, acaba levando com seu tom sombrio e gótico das cenas uma enorme tensão para quem está assistindo, trazendo também consigo uma mensagem sobre manipulação de uma forma bastante inteligente.

O filme que é uma versão bastante melhorada da original, mostra em si aspectos menos machistas do que o apresentado nos anos 70, tirando diversos pontos extremamente problemáticos como o beijo de um homem em uma garota de apenas de 13 anos, uma limpeza extremamente necessária, apesar de não ter deixado faltar em nada ao longa, sendo mais focado nas mulheres do internato, dando um destaque maior a Miss Martha (Nicole Kidman) e Edwina(Kirsten Dunst).

O desejo sexual é captado um tom mórbido e em um ambiente delirante onde as mulheres que habitavam antes um internato tedioso, disputam a atenção do soldado, fazendo com que assim seus papéis fossem totalmente desrespeitados.

Vale ressaltar a fotografia e a arte que estão impecáveis. Além do figurino que traz uma maior fidelidade de época à obra. Também, vale destacar a trilha sonora, aliás, a quase ausência dela, com apenas sons de pássaros e presença da banda Phoenix que traz consigo um tom mais ingênuo que casam perfeitamente com as cenas.

E para atuação, vale por em ênfase a Kirsten Dunst que interpreta a professora Edwina, que se ver pela primeira vez tendo que lidar com teus desejos carnais.

Enfim, uma refilmagem bem elaborada, e muito menos problemática, com uma fotografia belíssima, “O estranho que nós amamos” é um filme muito bom, no entanto, que poderia ganhar uma  profundidade maior.

O filme tem sua estréia marcada para 10 de agosto.

Camila Cabral
Estudante de Jornalismo, apaixonada por tudo que envolve o misticismo, cinema e música.