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Crítica | Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Homem-Aranha: De Volta ao Lar é como voltar pro doce lar dos quadrinhos.

ALERTA DE (INEVITÁVEIS) SPOILERS

Pela primeira vez vemos o verdadeiro Peter Parker dos quadrinhos ganhando vida na tela do cinema. Sem desmerecer o trabalho de Tobey Maguire (primeira trilogia do Homem-Aranha) e de Andrew Garfield (Espetacular Homem-Aranha) , afinal de contas, isto fica por conta do departamento de elenco. E apesar da idade do Peter Parker não interferir tanto nestas duas outras franquias, ainda ficou faltando algo. Não era o Aranha de verdade. O Aranha dos quadrinhos. Faltava molejo, faltava humor e ingenuidade. O Aranha do Tobey era muito contido, tímido, inexpressivo. O nerd retraído. O Aranha de Andrew, o incompreendido. Um galãzinho, bonitinho, que fazia piadas em certos momentos, mas ainda faltava algo. Com a chegada de Tom Holland, no entanto, podemos finalmente dizer: é este o nosso Homem-Aranha! Ele existe em carne e osso!

De Volta ao Lar já começa mostrando que seguiria a linha dos quadrinhos. As primeiras cenas apresentando o conflito que irá gerar a trama, e logo após, o nosso Peter Parker de quinze anos gravando um vídeo-diário. Esta estratégia escolhida pela direção foi muito bem escolhida, já que, dessa maneira, podemos adentrar o universo do personagem, e até mesmo sentir a empolgação que ele tem ao ser um adolescente reconhecido no meio de homens feitos e famosos. Um fã conhecendo seus ídolos, no caso. É bem raro um protagonista de quinze anos parecer ter quinze anos num filme. Em De Volta ao Lar, Tom Holland (que, diga-se de passagem, tem 21) não só apresenta a aparência física, como sua atuação é carregada de ingenuidade e deslumbramento, como o Aranha recém descoberto pelo Tony Stark deveria ter. Os olhares, os trejeitos e, principalmente, seu tom de voz foram essenciais para essa caracterização. E se assistirmos o longa como um filme estilo “Sessão da Tarde”, veremos a semelhança com um outro filme, O Segredo do Meu Sucesso (1987), que apareceu como referência numa cena, nos lembrando de que sim, foi isso que eles estavam tentando fazer.

As aparições dos Vingadores foram moderadas, na medida certa. Nem demais, nem de menos. Os personagens foram bem apresentados, inclusive alguns que possivelmente terão maior destaque nos próximos filmes, como Michelle, que, no final, pede para ser chamada de M.J. As cenas em que ela aparece são um pouco desnecessárias, se enxergarmos De volta ao lar como um filme sem sequência. No entanto, se ela for mesmo a Mary Jane dos próximos filmes, já podemos ver que suas cenas foram bem organizadas. Apesar disso, pareceu um pouco incoerente colocar Mary Jane sendo uma colega de Peter tão presente em seu Ensino Médio, já que eles só seriam apresentados em seus anos de faculdade, por intermédio de sua tia May. E por falar nela, também foi um choque vê-la como uma personagem de sex-appeal tão grande, e tão jovial, também. Deve haver uma razão por trás disso, só que no momento, o questionamento fica em aberto. Mas de um modo geral, o roteiro foi muito bem amarrado, bem calculado, sem haver exagero de efeitos especiais, já que o filme por si só já se bastava. Ao invés de nos lembrar de que era tudo ficção, os efeitos deixaram tudo bem realista e natural.

A verdade é clara: De Volta ao Lar é muito mais do que simplesmente outro filme do Homem-Aranha. É um pedido de desculpas aos fãs dos quadrinhos que sempre tiveram migalhas de seu herói café-com-leite preferido. E este pedido já começa desde o primeiro minuto de filme, quando aquela trilha sonora velha conhecida começa: Homem-Aranha, Homem-Aranha… Aí vem o Homem-Aranha…

Nota: 4/5

Clari Maga
Publicitária, escritora e cinéfila de carteirinha