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Crítica | Dunkirk

Há um certo deslumbre na maneira como estamos acostumados a lidar com roteiros humanos em filmes dramáticos e demasiada visceralidade e violência sangrenta em filmes de guerra. Em Dunkirk, Christopher Nolan está disposto a oferecer um novo conjunto de ideias através de um fantástico trabalho cinematográfico de percepção.

A trama gira em torno da “Operação Dínamo”, que ficou popularmente conhecida como a “Evacuação de Dunquerque”, onde as tropas britânicas e francesas são obrigadas a evacuar a cidade após serem rodeadas pelo exército alemão.

Diferentemente do esperado, o filme não traz um protagonista definitivo. Sua história acompanha, pelo menos, quatro cenários diferentes. Em uma ponta temos Tommy (Fionn Whitehead) e Alex (Harry Styles), soldados jovens que acabam se aliando em uma luta pela sobrevivência; Em outra, temos parte do exército tentando resistir aos bombardeios do cais e acompanhamos o trabalho da força aérea. Afim de honrar o filho morto na guerra, temos, ao meio, um pai marinheiro disposto a resgatar os soldados perdidos no oceano.

Nolan administra toda a troca de cenários de maneira excepcional. O filme não perde seu ritmo e muito menos o seu rumo – ao final, todas as histórias que acompanham a trama acabam se unindo pelo caminho. Apesar do sucesso de montagem e transgressão cinematográfica, o roteiro não impressiona. Porém, esse detalhe é esquecido com o impecável trabalho visual que nos é apresentado.

A movimentação da câmera e os elementos de cena são o grande poder de seu diretor. Planos longos e lotados de pessoas, água, explosivos e cenários apertados acompanham a música asfixiante de Hans Zimmer em uma obra brilhantemente claustrofóbica. As sensações causadas por sua excelente direção trazem ao telespectador o sentimento de angústia da guerra, transmitindo real emoção para seu público sem precisar apelar para linhas melodramáticas. A violência psicológica é a principal abordagem de Nolan para convencer sua platéia, se diferenciando de outras obras de guerra ao optar pela ressalva da humanidade dos soldados e a crueldade da guerra ao invés de lutas violentas em seu campo de batalha.

As interpretações se encaixam de maneira suave e correta dentro da trama, mas a falta de desenvolvimento dos personagens é um problema para a comoção do público.

Dessa forma, mais uma vez, Nolan prova ser um dos diretores de maior impressionabilidade em sua capacidade técnica e visual e exibe suas contribuições inovadoras para o cinema do século 21, porém, desta vez, opta por um roteiro menos trabalhado e uma câmera mais audaciosa. Em outras palavras, Dunkirk é de tirar o fôlego.

O filme tem sua estréia marcada para amanhã (quinta-feira, 27/07) e promete ser um sucesso de bilheteria.

Lara Arruda
Maníaca por arte e cinéfila assídua.