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Arquivo Cinematográfico | #01: A Revolução de Stanley Kubrick

Conhecido até mesmo pelos mais leigos no assunto, Stanley Kubrick é um dos diretores mais revolucionários que já passaram pelo cinema.

Dirigiu e roteirizou filmes que mudaram a visão de diversos gêneros cinematográficos: 2001 – Uma Odisséia no Espaço, Laranja Mecânica, Lolita, O Iluminado, Dr. Fantástico, De Olhos bem fechados, Nascido para matar, Barry Lyndon, entre outras obras-primas aclamadas.

Kubrick nunca foi um aluno exemplar, sempre foi muito criativo, amante das artes e literatura. Foi então que o seu pai o presenteou com sua primeira câmera fotográfica, aos treze anos. Começou sua vida profissional como fotógrafo, o que resultou em sua fotografia e percepção de espaço espetaculares. A cinematografia de Stanley Kubrick ficou famosa pela combinação de elementos e cores, simetria impecável e imagens planificadas – as quais auxiliaram na imersão do público em suas obras.

O filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço, revolucionou o cinema de ficção científica e inspirou todos os futuros filmes que viriam a envolver viagens espaciais. Com tecnologia e edição nunca vistos antes, uma trilha sonora magnífica com o tema principal composto por Richard Strauss e um trabalho árduo de angulação de câmera e composição de cores, este poderia ser considerado o filme mais revolucionário de Stanley Kubrick.

Porém, a genialidade do diretor não para em suas habilidades estéticas. Kubrick era também roteirista e responsável por adaptar dezenas de obras literárias para o cinema.

Em Laranja Mecânica, Kubrick divide seu roteiro em uma estrutura perfeita de três atos. A atmosfera do filme se compõe com um erotismo explícito, mas que não chega a se tornar pornográfico. Há uma escolha sábia de músicas, incluindo a Nona Sinfonia de Beethoven, que é um dos elementos mais importantes para a desenvoltura do personagem principal, Alex DeLarge (Malcolm McDowell), durante toda a trama.

Há ainda outros filmes, como O Iluminado, onde o diretor apresenta uma paleta de cores audaciosa e mais uma vez sua simetria característica – que viria a influenciar importantes diretores futuramente, como Wes Anderson. De acordo com o inventor da Steadycam (equipamento que torna a movimentação do operador de câmera mais discreta), “O Iluminado” foi a primeira vez em que este equipamento foi usado de forma correta e coerente. Até mesmo Lolita, no qual não pode se aprofundar na época pela polêmica do tema, recebeu um toque especial à la Kubrick, explorando o Surrealismo dentro do cinema.

Sendo um dos únicos diretores a conseguir se adaptar a qualquer gênero, e tendo obras-primas como referência a cada um dos mesmos, Kubrick foi responsável por toda uma nova percepção e linguagem cinematográfica, tornando-se referência não apenas para o cinema mas também para a fotografia e um dos diretores mais revolucionários e inesquecíveis da história.

Confira abaixo um vídeo com a perspectiva de câmera das obras de Kubrick.

Lara Arruda
Maníaca por arte e cinéfila assídua.