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Crítica | Tudo e Todas as Coisas

Tudo e Todas as Coisas reinventa o clichê, o romance, e nos traz poesia através da combinação de olhares de Amandla Stenberg e Nick Robinson.

De imediato, Tudo E Todas As Coisas começou como uma nova versão de O Quarto de Jack (2015), e depois de A Culpa é das Estrelas (2014). Mas embora houvesse demais referências, não há como negar o inegável: Tudo e Todas as Coisas é um filme comum, que já vimos antes algumas vezes durante os últimos anos. A única e principal diferença é que Stella Magne, diretora do filme, conseguiu transformar tudo isso numa obra de arte.

Não é de hoje que ouvimos dizer que o papel do diretor é mais do que criar filmes; que é, sem dúvida, transformar sonhos em histórias quase palpáveis. Sem a figura da diretora, Tudo e Todas as Coisas permaneceria no lugar comum, e ninguém teria vontade de esperar pelo final do filme. Dessa maneira, o que Stella fez foi inserir o timing ideal para as cenas, conduziu bem os silêncios, as expressões faciais e corporais, bem como a entrada e saída da trilha sonora como recursos de apoio, não solução de roteiro, como vemos muito por aí.

E por falar em soluções de roteiro, a solução mais saturada nesses filmes de romance adolescente é mandar o casal para outro país para preencher o tempo destinado ao desenvolvimento. No entanto, diferente de seus antecessores, como A Culpa É Das Estrelas (2014), Como Eu Era Antes de Você (2016), e companhia limitada, Tudo e Todas as Coisas parece ter um roteiro mais leve e natural, em que os personagens e suas respectivas histórias seguem seu curso sozinhos, e onde tudo cabe em seu devido contexto. Tudo e Todas as Coisas nos levou àquele velho romance do mocinho debaixo da janela, que fica a paquerar a mocinha inalcançável, longe demais para ele. É um tributo aos romancistas do século 19, mas ao invés de cartas, Olly e Maddie trocam mensagens de texto e e-mail. É uma recriação do romance no século 21, sem deixar, de forma alguma, a essência se perder.

Tudo e Todas as Coisas reinventa o clichê, o romance, e nos traz poesia através da combinação de olhares de Amandla Stenberg e Nick Robinson.

Eles nos levam até eles, até seus sentimentos mais profundos, e os vemos completamente despidos de segredos.

Não tem como não se apaixonar.

Nota: 4/5

Clari Maga
Publicitária, escritora e cinéfila de carteirinha